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Na Rota dos Sertões 2006: Evolução
por Klever Kolberg - (dakar@parisdakar.com.br)
03/08/2006



Foto: Donizetti Castilho


Já escrevi sobre a evolução - tecnológica e humana - que ocorre diariamente no universo dos ralis. É um processo contínuo, onde sempre aparecem novidades, sempre em busca de novos horizontes, ultrapassando limites antes inatingíveis. Gosto desse assunto.

Recentemente, durante uma palestra, fizeram uma ótima pergunta: “Qual o motivo para tanta evolução?” Eu não tinha a resposta na ponta da língua, mas ela veio rápida: a concorrência.

Talvez a resposta tenha surgido tão fácil porque, antes da largada dos Sertões, me perguntaram várias vezes qual seria a maior dificuldade do percurso. Como o roteiro é secreto e nunca se repete, só sendo apresentado na véspera da largada, não tinha muitos fundamentos para fazer um bom comentário. E se o trajeto for fácil ou difícil, não importa, afinal ele é igual para todos os competidores.

Acredito que a maior dificuldade que enfrento são meus concorrentes. Se no ano passado já estavam bem preparados, dessa vez eles podem se superar. O número de pilotos estrangeiros de ponta cresceu: tem muita gente vinda ‘do outro lado da força’, como se diria no Star Wars. São equipes experientes e profissionais, que trouxeram veículos, equipamentos e técnicos da Europa. Não é bolinho não.

Como resultado, a equipe vencedora da última edição (isso inclui veículo, piloto, navegador e toda a estrutura de apoio) precisa de qualquer forma se superar. Se ela não estiver ainda mais bem preparada, não precisamos de bola de cristal para prever o que vem pela frente: vão comer poeira.

Pode apostar que todos os concorrentes estarão ainda melhores, pois aprenderam com os erros, transformando a vivência em experiência. Os erros que não são esquecidos provavelmente não serão repetidos.

Em nossa equipe, não é diferente. Nas motos, contamos com o modelo 2006 da KTM 525. Nos caminhões, estreamos o Mercedes-Benz Atego 1725 e, nos carros, embora seja o mesmo Mitsubishi L 200 Evolution de 2005, com revisão completa e peças zero-quilômetro, há boas novidades. Foram incorporados um novo conjunto de suspensão, nova caixa de câmbio e novos modelos de pneus.

Falando assim, pode até parecer simples, mas não é. O novo câmbio, por exemplo, ficou menor e mais leve, o que é ótimo. As dimensões, porém, são diferentes da caixa anterior. As peças ligadas a ela não encaixavam mais. Nossos mecânicos foram verdadeiros cirurgiões na hora de realizar este transplante, fazendo tudo com carinho de mãe e criatividade de artistas.

Foi um verdadeiro trabalho de equipe, e me orgulho de fazer parte disso. Mas meus concorrentes estão a par de tudo, e não vão deixar por menos. Acabei cutucando a onça com vara curta. Quem quiser nos superar com certeza trará novidades e aprimoramentos ainda maiores que os nossos. É um eterno ciclo de evolução: nem bem começamos a usufruir o resultado, já precisamos pensar no futuro, pois os adversários não param – e nós também não.

Ajude-me a escrever o próximo artigo. Faça perguntas, envie sugestões e tire suas dúvidas através do site www.parisdakar.com.br

Klever Kolberg, 44, é piloto do Mitsubishi da Equipe Petrobras Lubrax

Equipe Petrobras Lubrax tem patrocínio da Petrobras, Petrobras Distribuidora, Mitsubishi Motors do Brasil, Pirelli, e apoio da Pearson, Banco Mercedes-Benz, Mercedes-Benz Caminhões, Renov, Mercedes Seguros, MANN-FILTER, Planac Informática, Sadia, Telenor Satellite Services AS, Kaerre, Capacetes Bieffe, Sparco América Latina, Artfix e Dakar Promoções.








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