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A integra da entrevista de Klever para o site Grande Prêmio e Revista Warm Up
por Assessoria de Imprensa - (imprensa@parisdakar.com.br)08/08/2012
A matéria acaba de ser publicada na revista que está nas bancas ou pode ser encontrada em http://www.grandepremio.com.br/rali/noticias/lendas-do-rali-dos-sertoes-klever-kolberg Veja a integra da entrevista de Klever para o repórter Fernando Silva. FS - Boa tarde, Klever Kolberg, tudo bem com você? Antes de tudo, obrigado pela atenção e pelo respaldo para conosco do site Grande Prêmio (www.grandepremio.com.br) e da Revista Warm Up (www.revistawarmup). Conforme combinado via Facebook dias atrás, envio algumas perguntas para você para realizarmos a grande reportagem sobre os grandes campeões do Rally dos Sertões para o especial de 20 anos da competição. Desta forma, lhe envio abaixo algumas questões relativas à competição e a sua história na prova como um todo. 1) Como e quando começou essa história de amor do Klever Kolberg com o Rali dos Sertões? KK - Já que você falou em amor, acho que minha participação no Rally Paris-Dakar, em janeiro de 1988, deixou vários brasileiros com “tesão” de fazer rally. Na época não havia a prática da modalidade Cross Country no Brasil, o mais próximo eram algumas provas de enduro de moto, justamente o esporte que eu praticava. Só que fazer trilha no meio do mato e ir para o Dakar, foi como sair do kart para a F1. Muita gente achou um absurdo, mas onde há amor, há ódio. E repito, não havia provas deste tipo por aqui, porque teria sido ótimo ter mais experiência antes de ir ao Saara. Alguns como o arquiteto Chico Morais ficaram muito excitados e em 1991 ele organizou o Rally São Francisco, que na sequencia se tornou o Rally dos Sertões. No começo era só para motos. Como nosso orçamento para o Dakar era muito enxuto, eu não tive condições de competir em duas rodas no Sertões, mas começamos a enviar representantes da equipe. Em 97, quando fiz minha transição das motos para os carros no Dakar, surgiu a oportunidade de competir no Sertões sobre 4 rodas, quando fiz minha estréia, já com vitória. Então, meio que sem querer, fui um tipo incentivador da criação do Rally dos Sertões. Como muitas revistas que traziam fotos e matérias foram, já que naquela época não havia internet. FS - 2) Em todos esses anos de participação, você viu que o Sertões viveu uma evolução tecnológica, esportiva e organizacional bastante grande. Como você percebeu esse crescimento com o passar do tempo? KK - Como falei acima, no início vi as coisas de longe. Acho que a primeira evolução foi da organização, sempre aprendendo muito e procurando fazer melhor, desde o Chico, depois o Dionísio Malheiros e finalmente o Marco Ermírio de Moraes. Foi também um teste de sobrevivência, porque no início ninguém tinha certeza se a próxima edição rolaria até a hora da largada. Passada esta fase, a organização continuou evoluindo, chegando a fazer parte do calendário da FIA e da FIM. Mas paralelamente o evento ganhou importância, trazendo mais qualidade e quantidade de pilotos, navegadores, máquinas, mecânicos, equipes, imprensa e patrocinadores. Do que era uma dúvida, hoje existem até fábricas de equipamentos e veículos e muita gente se dedicando full time ao rally. FS - 3) Apesar dos seus ‘apenas’ dois títulos, você tem inúmeras participações no Sertões. Fazendo uma retrospectiva, o que você tem mais vivo na lembrança quando você lembra do Rali dos Sertões? KK - Eu venci nos carros na geral em 97 e 98, fiz vice outras duas vezes, também ajudei a criar a categoria etanol, onde sou bicampeão (2010 e 2011, justamente um de meus maiores orgulhos). Na edição mais recente da prova, 2011, com um carro criado por uma oficina de preparação brasileira, juntando algumas peças novas e outras usadas, nosso carro foi o primeiro carro brasileiro na prova, na frente de muita gente boa, com equipamento de primeira. Já na nossa frente apenas uma BMW X3 da equipe oficial BMW (que venceu o Dakar 2012) e um Mitsubishi Lancer, criado para a equipe oficial da Mitsubishi Japão (que venceu o Dakar 12 vezes se não me engano), atualmente adquirido pela Mitsubishi Brasil. Nem vou falar na diferença de orçamento ou de anos de experiência, testes, tecnologia e know-how. Nós chegamos muito perto, não anos, apenas alguns minutos. E utilizando energia renovável, verde, etanol brasileiro. Veja, tenho orgulho de todos que participaram disso, tanto da preparação, como da participação, como também de todos que estiveram presentes no Sertões durante estes 19 anos. Veja aonde nós brasileiros chegamos. Isso é fato. Pena que a imprensa não percebeu isso. FS - 4) Certamente que nessa sua trajetória de sucesso no Sertões você viveu momentos marcantes e momentos difíceis também. Qual foi, ou quais foram os momentos de maior dificuldade em sua carreira no Sertões? KK - O Sertões cresceu e se tornou uma prova importante, com concorrentes fortíssimos. Todos os anos em que competi disputei a ponta. Em alguns tive problemas mecânicos, que atrapalharam a classificação final, mas não a diária, nas etapas. Não tenho as estatísticas, mas com certeza estou entre os pilotos de carro que mais etapas venceram no Sertões. Todo o trabalho (de preparação, de treinamento, de convencimento e conquista de patrocinadores) necessário para este nível de competitividade, o esforço pessoal que chamo de egoísmo que a carreira de piloto exige, fazendo você abrir mão de muita coisa, como estar mais presente na família, com os filhos, tudo isso, quando você vence, parece ter sido recompensado. Já quando acontece algum problema, mesmo que com sucesso em algumas etapas, mas sem a coroação do pódio no final, passa a ser questionável. É duro ficar parado no meio do caminho sendo ultrapassado e ver o resultado fugindo das suas mãos. Mas pode ser ainda pior, quando você erra, bate, quebra o carro e fim de prova. E de carro é mais seguro do que de moto, porque de moto muitas vezes você acaba no hospital. No Dakar isso aconteceu comigo. No Sertões o carro me protegeu. Mas sempre pode ser pior. Por exemplo, quando há algum erro, externo, como aconteceu no meu acidente de 2004, numa ponte. Sem entrar em polêmica, acho que tudo se tornou um aprendizado. E poderia ser pior, se o resultado fosse uma fatalidade, mas o anjo da guarda nosso e de quem estava por perto estava à postos, então ficou barato. Hoje o que normalmente vem a minha lembrança são as coisas boas, nãos as ruins, ou seja, as dificuldades foram transformadas em oportunidades, já que a derrota faz parte do caminho da vitória. E os amigos são para sempre. FS - 5) Você, que é um dos pioneiros do Brasil no Dakar, também se considera um pouco responsável por esse sucesso do Sertões nesses 20 anos de competição? KK - Acho que falei sobre isso na primeira pergunta. Mas não acho honesto me creditar disso. Mal e mal fui um provocador. O Sertões existe e chegou aonde chegou graças ao trabalho de muitas pessoas (a lista é grande). O entusiasmo e amor pelo rally de muitos (pessoas, empresas, mídia) como o meu, ajudou, mas nossa maior contribuição foi acreditar. Só que só de fé não se movem montanhas, foi preciso muito suor. Parabéns a todos, especialmente a quem colocou a mão na massa. FS - 6) Falando nisso, soube que você não vai competir neste ano. Você vai dar um tempo para priorizar as palestras e seus outros negócios? Ou foi a falta de patrocínio que o impediu de competir? KK - O coração pede para eu estar lá. Infelizmente este ano não vou ter tempo disponível para investir nisso. Tenho tentado conciliar diversas atividades e responsabilidades. O Sertões exige muito, não só o piloto, não só o patrocínio. Então prefiro fazer as coisas bem feitas e corresponder com os compromissos. Vou ficar babando de vontade, mas aviso que não pendurei as chuteiras, estou treinado, melhorei muito meu condicionamento físico, só que estou conquistando outros objetivos, mas logo estarei competindo novamente. FS - 7) Pra fechar: para você, que é uma das bandeiras do off-road nacional, qual a sua opinião sobre o atual estágio do rali no Brasil? O que está bom? O que está ruim? O que precisa mudar e melhorar? KK - Prefiro não responder a esta pergunta. Mas vou dar uma dica: sozinho dá para andar rápido, em grupo dá para ir longe, precisamos ir longe e rápido. FS - Agradeço mais uma vez pela prontidão em nos responder. Obrigado também pela atenção e pelo apoio. Abraços. KK - Fernando, por favor, me avise quando for publicado. Muito obrigado. Abraços. Itens relacionados: »30/07/2012 Rally Desafio Litoral – Vitória de Despres e Terranova »27/07/2012 Rally Desafio Litoral – 4ª etapa »26/07/2012 Rally Desafio Litoral – Clima força o cancelamento da 3ª etapa »25/07/2012 Rally Desafio Litoral – 2ª etapa »16/07/2012 Peterhansel no Rally dos Sertões 2012 »12/07/2012 Silk Way Rally 2012 – Final »10/07/2012 Silk Way Rally 2012 – 4ª etapa »09/07/2012 Silk Way Rally 2012 – 2ª e 3ª etapas |