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Na Rota dos Sertões 2006: Pilotagem
por Klever Kolberg - (dakar@parisdakar.com.br)
05/08/2006



Foto: Donizetti Castilho


Descrever qual é o prazer da pilotagem não é uma tarefa fácil. Eu sou engenheiro, gosto de números para entender e explicar os fatos. Na minha opinião, pilotar significa um exercício de geometria. Nas retas, o que prevalece é a potência da máquina, o motorista é só um passageiro. O piloto realmente bom mostra sua eficiência nas curvas, que possuem raios ou diâmetros.

Também entram em campo outros aspectos da física, como velocidade, aceleração, aderência e tração. A técnica da boa pilotagem busca a escolha de um traçado perfeito, que envolve a entrada da curva, o contorno e também a saída, que deve ser em aceleração, facilitando a retomada de velocidade.

Nos velhos tempos, os pilotos não contavam com nenhum computador para decidir qual o melhor traçado. E não acredito que tivessem QI de gênio para fazer tais cálculos mentalmente. A física se transformava em instinto. Mesmo hoje, com o auxílio da eletrônica, os instintos e a coragem continuam formando a essência da pilotagem. Através do olhar, de uma rápida avaliação, o piloto decide o que vai fazer.

Numa pista, como na Fórmula 1, a volta tem em média 5 km e é sempre repetida, desde os treinos. Isso cria a oportunidade para que as variações de traçado sejam testadas. Há ainda a troca de informações entre os pilotos. Em geral forma-se um consenso, que resulta naquelas marcas no asfalto, conhecidas como trilhos de borracha.

Já num rali o circuito é desconhecido, a volta nunca se repete. Nos Sertões, por exemplo, daremos uma única volta de quase 4.000 km. Além disso, temos a presença de um componente diferente, o ambiente rural. Não estou me referindo à terra, ao barro, mato, pedras ou poeira. Estou falando da tranqüilidade do interior. O rali utiliza percursos que não são pistas, ou seja, os veículos que normalmente trafegam nela não buscam uma maior velocidade. Corremos por estradas ou vias – isso quando elas existem - em que o trilho foi marcado por quem anda com tranqüilidade, sem pressa, com segurança. De carroça, de cavalo, de trator, de carro, ônibus ou caminhão, não importa: eles trafegam em ritmo lento, formando o que poderia ser chamado de o caminho da roça.

É o caminho mais batido, mais cuidado, com menos pedras e buracos, mas não necessariamente o mais rápido. Nós entramos nesta “pista” sem conhecimento prévio, sem realizar treinos, para correr contra o relógio. E só contamos com um instante, apenas um olhar de menos de um segundo, no mais puro instinto. Temos que duvidar e até discordar daquela trilha pré-estabelecida, e apostar no nosso faro para buscar o traçado mais rápido. Na maioria das vezes a decisão é acertada. Quando não, já que não há acostamento nem áreas de escape, o resultado é a expressão bem humorada: “compramos terreno”.

Ajude-me a escrever o próximo artigo. Faça perguntas, envie sugestões e tire suas dúvidas através do site www.parisdakar.com.br

Klever Kolberg, 44, é piloto do Mitsubishi da Equipe Petrobras Lubrax

Equipe Petrobras Lubrax tem patrocínio da Petrobras, Petrobras Distribuidora, Mitsubishi Motors do Brasil, Pirelli, e apoio da Pearson, Banco Mercedes-Benz, Mercedes-Benz Caminhões, Renov, Mercedes Seguros, MANN-FILTER, Planac Informática, Sadia, Telenor Satellite Services AS, Kaerre, Capacetes Bieffe, Sparco América Latina, Artfix e Dakar Promoções.




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